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Pax!

Quarta-feira de Cinzas

Na quarta-feira antes do primeiro domingo da Quaresma introduziu-se o hábito de impor cinza sobre a cabeça dos penitentes públicos que se preparavam para ser reconciliados na quinta-feira santa seguinte. Antes de se ter fixado na quarta-feira, esse rito de imposição das cinzas já se fazia na segunda-feira depois do primeiro domingo da Quaresma.

Os penitentes vestiam-se de vestes grosseira (saco) e impunham cinzas sobre si mesmos, em sinal de luto, de arrependimento e de penitência. A seguir, com grande dramatismo, eram expulsos da igreja. O gesto de cobrir a cabeça de cinzas, sentar-se na cinza, ou mesmo rebolar na cinza era já bem conhecido do Antigo Testamento:
- Indicava a fragilidade da condição humana (o livro do Génesis diz-nos que o homem foi criado do pó [cinza])
- Indicava arrependimento e penitência (quando os ninivitas ouviram a pregação de Jonas, vestiram-se de saco, ordenaram um jejum e o rei sentou-se na cinza; Jeremias convida os habitantes de Jerusalém a cobrirem-se de cinzas, como sinal de arrependimento dos seus pecados)
- Indicava dor (diante de uma grande desgraça ou catástrofe, vestir-se de saco e cobrir-se de cinza era símbolo da dor dilacerante que se experimentava)

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Pouco a pouco, esta penitência canónica ou pública entrou em desuso, mas o rito das cinzas não se perdeu: passou progressivamente a todos os fiéis, todos convidados a reconhecer a sua condição de pecadores e a fazer penitência.
O Papa Urbano II, em 1091, estendeu este costume a todas as Igrejas. No século XII aparece pela primeira vez a indicação de que se usassem os ramos benzidos no domingo de ramos do ano anterior para obter as cinzas

O actual Missal conservou este gesto. A imposição das cinzas faz-se normalmente na Missa, depois da homilia. Antes, a imposição das cinzas era acompanhada da frase “Lembra-te homem que és pó e que em pó te hás-de tornar” (cf. Gn 3, 19). Agora, além dessa frase, o Missal apresenta outra fórmula alternativa, mais evangélica: “Convertei-vos e acreditai no Evangelho” (Mc 1, 15).
As duas orações de bênção das cinzas sublinham que o rito se entende como início da caminhada quaresmal, pedindo que aqueles que recebemos as cinzas cheguemos purificados ao fim da Quaresma, para celebrarmos melhor a grande festa da Páscoa.

As leituras deste dia são como que uma síntese de todo o programa da Quaresma, sublinhando o seu sentido e apresentando as atitudes que devemos adoptar no caminho de conversão que nos é oferecido.

Dom Abade